O QUE SÃO REDES ?                     

"A vida não vingou no planeta através do combate, 
mas através da parceria, do compartilhamento e do trabalho em rede."

Fritjof Capra, físico e teórico de sistemas. 

Fundamentos e paradigmas das Redes

Uma atuação em rede supõe valores e a declaração dos propósitos do coletivo (missão):
por que

para que
fundamentada em quê
a rede existe?
Há alguns parâmetros que norteiam a interação e devem ser considerados por quem queira trabalhar colaborativamente; uma espécie de código de conduta para a atuação em rede:

Pactos e Padrões de Rede: sem intencionalidade uma rede não consegue ser um sistema vivo, mas apenas um amontoado de possibilidades (intencionalidade aqui não possui um sentido teleológico, muito pelo contrário, mas significa a declaração de suas intenções de rede). A comunicação e a interatividade se desenvolvem a partir dos pactos e dos padrões estabelecidos em comunidade. Uma rede é uma comunidade e, como tal, pressupõe identidades e padrões a serem acordados pelo coletivo responsável. É a própria rede que vai gerar os padrões a partir dos quais os envolvidos deverão conviver. É a história da comunidade e seus contratos sociais.

Valores e objetivos compartilhados: O que une os diferentes membros de uma rede é o conjunto de valores e objetivos que eles estabelecem como comuns, interconectando ações e projetos.

Participação: A participação dos integrantes de uma rede é que a faz funcionar. Uma rede só existe quando em movimento. Sem participação, deixa de existir. Ninguém é obrigado a entrar ou permanecer numa rede. O alicerce da rede é a vontade de seus integrantes.

Colaboração: a colaboração entre os integrantes deve ser uma premissa do trabalho. A participação deve ser colaborativa!

Multiliderança e horizontalidade: Uma rede não possui hierarquia nem chefe. A liderança provém de muitas fontes. As decisões também são compartilhadas.

Conectividade: Uma rede é uma costura dinâmica de muitos pontos. Só quando estão ligados uns aos outros e interagindo é que indivíduos e organizações mantêm uma rede.

Realimentação e Informação: Numa rede, a informação circula livremente, emitida de pontos diversos, sendo encaminhada de maneira não linear a uma infinidade de outros pontos, que também são emissores de informação. O importante nesses fluxos é a realimentação do sistema: retorno, feedback, consideração e legitimidade das fontes são essenciais para a participação colaborativa e até mesmo para avaliação de resultados e pesquisas.

Descentralização e Capilarização: Uma rede não tem centro. Ou melhor, cada ponto da rede é um centro em potencial. 
Uma rede pode se desdobrar em múltiplos níveis ou segmentos autônomos - "filhotes" da rede -, capazes de operar independentemente do restante da rede, de forma temporária ou permanente, conforme a demanda ou a circunstância. 
Sub-redes têm o mesmo "valor de rede" que a estrutura maior à qual se vinculam.

Dinamismo: Uma rede é uma estrutura plástica, dinâmica, cujo movimento ultrapassa fronteiras físicas ou geográficas. As redes são multifacetadas. Cada retrato da rede, tirado em momentos diferentes, revelará uma face nova.

Literatura sobre Redes:

Sociabilidade em rede - Autor: Fabiano Viana de Oliveira

O objetivo desse trabalho é estabelecer uma compreensão do tipo de sociabilidade que se dá em grupos formados a partir do espaço da Internet, comparando-se ainda esta sociabilidade com outras formas coexistentes na atualidade. Cuja relevância se torna explícita pela natureza contemporânea desse tipo de formação coletiva, que faz parte, inegavelmente, de nosso cotidiano, e por isso deve ser conhecida e compreendida em seu contexto e interioridade. 
A hipótese central que leva este empreendimento é que grupos formados a partir da Internet têm características próprias e específicas, particularidades relativas tanto a sua origem particular (no espaço da Internet) quanto ao seu desenvolvimento específico, com pessoas de um certo contexto; neste caso o esforço descritivo deverá ser mais importante que o comparativo, mas sem se ignorar a integração particular destes grupos com um contexto maior de outras formações coletivas e também de diversidade cultural... Leia na íntegra: Tema do mês de maio de 2006 na RITS - Rede de Informações para o Terceiro Setor

Governança de redes interorganizacionais no terceiro setor - Autora: Queila Regina Souza

De acordo com CASTELLS (1999), funções e processos dominantes na atual era da informação estão cada vez mais organizados em torno de redes. De acordo com o autor da trilogia “A era da informação, economia, sociedade e cultura”, somos uma sociedade em que o poder dos fluxos é mais importante que os fluxos do poder. Neste tipo de estrutura social, a velocidade das transformações facilita processos de inovação e possibilita que empresas e indivíduos atinjam altos níveis de sinergia e flexibilidade... Leia na íntegra: Tema do mês de abril 2006 na RITS - Rede de Informações para o Terceiro Setor 

Produção compartilhada e socialização do conhecimento em rede - Autora: Sonia Aguiar

As mudanças significativas de comportamento coletivo observáveis nas sociedades contemporâneas a partir dos anos de 1980 e o propalado impacto sociocultural, econômico e político da Internet, a partir da década de 1990, têm gerado uma profusão de ensaios e pesquisas de campo centrados nas "redes". Dessa literatura emerge uma diversidade de expressões cuja significação nem sempre é explicitada:

redes sociais

redes pessoais

redes cotidianas

redes cognitivas

redes organizativas

redes urbanas

redes sociocognitivas

redes de controle social

redes comunitárias

redes sociotécnicas

redes de cooperação

redes regionais

redes corporativas

redes de pesquisa

redes nacionais

redes culturais

redes de negócios

redes supralocais

Outro problema dessa literatura é que ela "ignora" (no sentido de considerar sabido ou desnecessário) todo o passado da teoria analítica das redes sociais, embora incorpore (ainda que subvertidamente) vários de seus elementos de análise. As críticas ficam, assim, subjacentes, quando se defende uma abordagem metodológica mais complexa, como faz Villasante (2002). De forma resumida, este texto reconstitui essa trajetória teórica e metodológica, procurando situar o ponto de virada paradigmática para o quadro atual... 
Leia na íntegra: Tema do mês de março 2006 da RITS - Rede de Informações para o Terceiro Setor

Algumas palavras sobre redes

Por Cássio Martinho, jornalista e consultor que traça um panorama do que caracteriza uma rede social, como são suas relações e peculiaridades. Para ele, as redes traduzem, na forma de desenho organizacional, uma política de emancipação. "Não pode haver distinção entre os fins dessa política e os meios de empreendê-la", afirma.... Leia na íntegra: Tema do mês de fevereiro 2006 da RITS - Rede de Informações para o Terceiro Setor

A Consistência das Redes Solidárias - Autor: Euclides André 

O objetivo deste texto é tratar, sob alguns aspectos, dos fundamentos teóricos e políticos das redes solidárias. De início cabe salientar que os fundamentos teóricos de práticas sociais não se confundem com o paradigma desde o qual são considerados. Em rigor tais fundamentos resultam de uma organização mais abstrata e coerente da teoria inerente à própria práxis. Essa teoria, por sua vez, é constantemente reelaborada, especialmente no que se refere à sua efetividade prática, conferindo à práxis sentido e direção, embora possa comportar equívocos e fragilidades...Leia na íntegra: Tema do mês de janeiro de 2006 na RITS - Rede de Informações para o Terceiro Setor 

O indivíduo e a rede - Autores: Gislene Rodrigues e Carlos Antônio

Louis Dumont coloca em questão a concepção de indivíduo e sociedade tal como ela é determinada pela sociedade moderna ocidental. Esta concebe o indivíduo como um ente independente, com uma existência ontológica. A sociedade seria o meio onde esses indivíduos se organizam e vivem. Dessa forma se coloca o indivíduo numa posição anterior às relações sociais e culturais. Daí nascem as idéias de igualdade e liberdade, difundidas e instituídas na sociedade moderna como a legítima e única forma de realização do indivíduo na sociedade. A idéia de hierarquia, de castas, passa então a ser repudiada e renegada como um mal, uma anomalia social ou qualquer outro adjetivo que expresse um sentimento de aversão. E, é em geral, dessa forma que é visto o sistema de castas na Índia... 
Leia na íntegra:
Tema do mês de dezembro de 2005 na RITS - Rede de Informações para o Terceiro Setor

Construção de redes - um processo educativo em comunidades - Autora: Gislene Rodrigues  

As discussões em torno da temática de redes têm sido bastante difundidas e profícuas para o aperfeiçoamento de seus debatedores acadêmicos e articuladores práticos. Mas em que medida essa discussão pode ser estendida de forma didática à população leiga no assunto, imersa nos afazeres cotidianos de sua vida privada? Será importante levar a perspectiva de redes para esses indivíduos?
Em primeiro lugar, ninguém está imerso exclusivamente no âmbito de sua vida privada. Todos os que vivem em sociedade estão, de alguma forma, fazendo parte de um espaço público, de uma relação, de uma rede. Ter consciência disso é um passo em direção à cidadania inquieta, à possibilidade de escolha entre contribuir mais ativamente para o desenvolvimento da comunidade ou não, entre ter um comportamento responsável ou irresponsável diante da coletividade e da perspectiva das diversas sustentabilidades (1). Entender que vivemos e construímos nossa sociedade em rede é o típico exemplo de um conhecimento que gera poder - o poder da escolha e da transformação. ...Leia na íntegra: Tema do mês de Maio/2005 na RITS - Rede de Informações para o Terceiro Setor

O potencial das redes organizacionais no terceiro setor

A economia ocidental tem passado, nas últimas décadas, por transformações que trazem novos arranjos organizacionais. Uma das conseqüências deste processo é a ampliação das redes, tanto de grandes quanto de pequenas empresas, trazendo profundos impactos para a organização do trabalho. Paralelamente, assiste-se ao crescimento das instituições privadas sem fins lucrativos, o chamado “terceiro setor”. Seguindo as tendências do mercado, também as organizações do terceiro setor têm se articulado em redes. O objetivo deste trabalho é estudar como a articulação em redes pode beneficiar as organizações do terceiro setor, fortalecendo-as institucionalmente, otimizando a utilização de seus recursos e aumentando sua competitividade através de uma gestão mais eficiente... por Cristiano Rocha Heckert* e Márcia Terra da Silva** Leia na íntegra (extraído da Revista IntegrAção - FGV-SP) 

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